Pode ser que ninguém concorde comigo, mas a dúvida persiste e esse é o único lugar onde eu posso dizer o que quiser sem ser interrompida. Mais que uma pergunta, é minha crítica a minha própria raça. Nós, seres humanos, os animais dominantes desse velho planeta terra.
Os homens me assustam. E eu não trato apenas de membros do sexo masculino, mas de toda humanidade. Pelo menos toda humanidade capaz de decidir o rumo das coisas grandes. A perplexidade se dá graças às divagações de sofá, admito, mas já ouvi dizer que as melhores teorias se desenvolvem à partir de divagações banais (ou mente vazia é oficina do diabo, coloque como quiser!). O que importa é: como pode a raça humana deixar seus próprios morrerem, enquanto faz pesquisas no espaço? Eu não menosprezo os anos de estudo dedicado à astronomia, mas - francamente- quão fundamentais são as descobertas acerca das estrelas quando milhares passam fome? Essa história de 'saber de onde viemos para descobrir pra onde vamos' é linda e poética, mas quem é que vai chegar nesse tal futuro? Quem vão ser esses heróicos protagonistas do amanhã num mundo relapso com os agentes de hoje? A pergunta que fica (a da tal crítica) é pelo simples fato de que muito dinheiro é gasto em coisas muito lucrativas, mas sem um pingo de responsabilidade social. OK, grandes potências, nós - """em desenvolvimento""" - aceitamos sua total hegemonia espacial, seu amplo conhecimento na fabricação de bombas atômicas, seu poderio bélico...podemos, agora, tratar de feijão? AIDS?
A sociedade se perdeu nos valores. Vale mais competir até o fim, mesmo que o fim esteja ali do lado. O esgotamento do planeta não se dá para a manutenção da espécie, mas para o acúmulo de mais lixo. Estamos (eu, você e sua mãe) devorando todo um planeta para descobrir vidas num outro lugar qualquer, enquanto deixamos de lado as vidas daqui. Neste NOSSO mundo, nesse NOSSO século.
Eu não espero ser dona da razão, e talvez não tenha dedicado tempo suficiente a esses pensamentos a ponto de compreender o mundo, os homens, a vida. O que eu sei é que enquanto se gasta US$17,6 bilhões na pesquisa espacial (somente) americana, a cada minuto 12 crianças morrem de fome*. Podem dizer o que quiser, continuo não achando certo. E mesmo que os US$ 17 bi não sejam suficientes para extinguir a fome mundial (pelos cálculos da FAO se fazem necessários U$30 bi, contra US$ 450 bi do orçamento militar americano), já seria um começo, parar de olhar pra fora - ou tão pra dentro a ponto de cegar - e olhar pros lados.
mais informações:
http://www.pime.org.br/mundoemissao/fomecriancas.htm
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/07/30/ult581u2709.jhtm
@ sem música para pensamentos soltos
Eu escrevo só sobre o que gosto ou odeio muito. Só sobre o que realmente me perturba, por bem ou mal. Lembrando que faço economia, não jornalismo, tudo aqui é um capricho meu e a tentativa (inumeras vezes frustrada) de não deletar tudo depois de re-ler.
segunda-feira, 23 de março de 2009
sábado, 6 de dezembro de 2008
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
É como o título mesmo diz.
É o medo do novo somado a vontade de ficar aqui, nesse velho e confortável. É difícil largar a tranquilidade pelo desafio. O fácil (e certo, claro) pelo duvidoso.
Será que dá pra ser feliz e realizado de um jeito novo?Deixando pessoas E princípios de lado? Dá? Até onde a experiência compensa a certeza de que isso tudo financia um mundo com o qual eu não concordo?
Eu mereço? Tá tudo certo...o aluguél, o emprego, a vida. Onde ficam os ideáis? Guardados numa gaveta escura no Brasil? Presos num sonho comprado em 12x?
Eu não devia escrever isso aqui, deixar isso aqui.
Quem sabe amanhã ou depois (ou lá, a milhas de casa e aceitando como vier) mude de idéia...
@ Sampa - é no Brasil
É o medo do novo somado a vontade de ficar aqui, nesse velho e confortável. É difícil largar a tranquilidade pelo desafio. O fácil (e certo, claro) pelo duvidoso.
Será que dá pra ser feliz e realizado de um jeito novo?Deixando pessoas E princípios de lado? Dá? Até onde a experiência compensa a certeza de que isso tudo financia um mundo com o qual eu não concordo?
Eu mereço? Tá tudo certo...o aluguél, o emprego, a vida. Onde ficam os ideáis? Guardados numa gaveta escura no Brasil? Presos num sonho comprado em 12x?
Eu não devia escrever isso aqui, deixar isso aqui.
Quem sabe amanhã ou depois (ou lá, a milhas de casa e aceitando como vier) mude de idéia...
@ Sampa - é no Brasil
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei escrevendo."
A que se preza um DCE? Me diz você, pra quê serve? Toda representação estudantil teve seu apogeu durante a ditadura e hoje é praticamente desconsiderada fora dos portões do prédio na general Carneiro com a Amintas de Barros e das cabeças mais ideológicas. É como se toda luta fosse em vão, um trampolim meio quebrado pra se atingir a política que dá dinheiro. Eu não posso discordar mais. Se a cada dia me intrometo mais nesses assuntos que de forma alguma me diziam respeito - até então - é pela exclusiva vontade de fazer melhor. Por mim e por você. Mesmo que isso me custe umas horas aqui e uma discussão (que eu realmente nunca me importei em ter) ali. De todo jeito, o meu DCE (o da minha cabeça, se estiver errado me corrija) não se preza a ataques pessoais, a recalque, a caminho fácil pra vida mais fácil ainda.
Não quero nem entrar no mérito da veracidade dos fatos, uma vez que decidi apoiar uma chapa mais pelos métodos utilizados outrora que por propaganda pura e simplesmente. Meu nome está lá, pode conferir. E eu acredito. O que não consigo conceber é que pessoas instruídas, desejosas do mesmo objetivo e que percebem toda imagem que se criou do movimento estudantil, criem intrigas e competições de âmbito unicamente pessoal utilizando a máquina do DCE. Isso é um afronte a tudo que a instituição conquistou e ao voto de cada eleitor, contra ou a favor. Mesmo que tudo que se diz no artigo seja comprovadamente real, continua sendo um absurdo que tal menção tenha sido feita num espaço destinado a notícias de cunho institucional. Somente institucional. É como se o governo Federal não fosse mais governo, mas PT e partidos coligados ocupando cadeiras, mesas e cargos. Sem nenhum outro incentivo, senão boicotar a presença dos demais partidos. Sem fundamento ideológico palpável ou projetos tangíveis de desenvolvimento social (ou universitário, se acredita que a influência do diretório pára por aí). É incompreensível pra mim que tamanho disparate (tô ficando sem palavras pra traduzir essa angústia e esse nojo) tenha passado praticamente incólume pelo crivo de tantos leitores. As pessoas se acostumaram com o mau uso da máquina pública em geral? Estão tão descrentes a ponto de relevarem ataques a sua própria inteligência?
Tudo bem, se há algo errado com a campanha da chapa adversária, que os fatos sejam averiguados e os medidas cabíveis sejam tomadas. Não por órgãos parciais como a concorrência, mas pela comissão eleitoral e pelo próprio eleitor. Para que se faça uma votação justa e legítima, basta que a informação chegue a tempo e de forma lúcida. Não após uma derrota amarga, através de palavras ácidas jogadas por aí.
O DCE é um só. No fim das contas -e na cabeça dos mais desavisados- é formado por todas as pessoas que se preocupam com o movimento estudantil, mesmo que de forma rotativa e antagônica. Mesmo que de chapas adversárias, com ideais contrários e rixas pessoais, essas desavenças não podem superar a esfera central de toda discussão: a melhoria do ensino público, vinculada ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Não se pode perder de vista que uma proposta de gestão eleita não é corroborada em todas as suas decisões, certas ou erradas. Os meios democráticos para se apurar esse apoio popular aos atos dos representantes é o voto para a situação ou para as possíveis oposições. Se a maioria acredita que se deve mudar drasticamente a forma de condução do diretório, esta não é uma decisão passível de questionamento por parte dos elegíveis. Se a democracia é falha, se o DCE é "esquerdóide", estas são questões de caráter pessoal, e não cabe a site nenhum se propor a respondê-las por outrem.
Contextualizando:
http://dceufpr.wordpress.com/2008/11/08/chapa-eleita-mente-sobre-conquistas-em-2007/
ELEIÇÕES dce/ufpr 2008/2009:
PÉS NO CAMPUS.....3357
Apenas começamos.... 234
Cantamos porque o grito não basta..... 2159
Brancos...30
Nulos.... 114
Total votantes.....5894
@ I want you
All you need is love
Can't buy me love
(Beatles, Beatles, Beatles - em homenagem a minha leitora e companheira de luta)
Não quero nem entrar no mérito da veracidade dos fatos, uma vez que decidi apoiar uma chapa mais pelos métodos utilizados outrora que por propaganda pura e simplesmente. Meu nome está lá, pode conferir. E eu acredito. O que não consigo conceber é que pessoas instruídas, desejosas do mesmo objetivo e que percebem toda imagem que se criou do movimento estudantil, criem intrigas e competições de âmbito unicamente pessoal utilizando a máquina do DCE. Isso é um afronte a tudo que a instituição conquistou e ao voto de cada eleitor, contra ou a favor. Mesmo que tudo que se diz no artigo seja comprovadamente real, continua sendo um absurdo que tal menção tenha sido feita num espaço destinado a notícias de cunho institucional. Somente institucional. É como se o governo Federal não fosse mais governo, mas PT e partidos coligados ocupando cadeiras, mesas e cargos. Sem nenhum outro incentivo, senão boicotar a presença dos demais partidos. Sem fundamento ideológico palpável ou projetos tangíveis de desenvolvimento social (ou universitário, se acredita que a influência do diretório pára por aí). É incompreensível pra mim que tamanho disparate (tô ficando sem palavras pra traduzir essa angústia e esse nojo) tenha passado praticamente incólume pelo crivo de tantos leitores. As pessoas se acostumaram com o mau uso da máquina pública em geral? Estão tão descrentes a ponto de relevarem ataques a sua própria inteligência?
Tudo bem, se há algo errado com a campanha da chapa adversária, que os fatos sejam averiguados e os medidas cabíveis sejam tomadas. Não por órgãos parciais como a concorrência, mas pela comissão eleitoral e pelo próprio eleitor. Para que se faça uma votação justa e legítima, basta que a informação chegue a tempo e de forma lúcida. Não após uma derrota amarga, através de palavras ácidas jogadas por aí.
O DCE é um só. No fim das contas -e na cabeça dos mais desavisados- é formado por todas as pessoas que se preocupam com o movimento estudantil, mesmo que de forma rotativa e antagônica. Mesmo que de chapas adversárias, com ideais contrários e rixas pessoais, essas desavenças não podem superar a esfera central de toda discussão: a melhoria do ensino público, vinculada ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Não se pode perder de vista que uma proposta de gestão eleita não é corroborada em todas as suas decisões, certas ou erradas. Os meios democráticos para se apurar esse apoio popular aos atos dos representantes é o voto para a situação ou para as possíveis oposições. Se a maioria acredita que se deve mudar drasticamente a forma de condução do diretório, esta não é uma decisão passível de questionamento por parte dos elegíveis. Se a democracia é falha, se o DCE é "esquerdóide", estas são questões de caráter pessoal, e não cabe a site nenhum se propor a respondê-las por outrem.
Contextualizando:
http://dceufpr.wordpress.com/2008/11/08/chapa-eleita-mente-sobre-conquistas-em-2007/
ELEIÇÕES dce/ufpr 2008/2009:
PÉS NO CAMPUS.....3357
Apenas começamos.... 234
Cantamos porque o grito não basta..... 2159
Brancos...30
Nulos.... 114
Total votantes.....5894
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Economia Comportamental x Economia Clássica
Trechos da entrevista de Dan Ariely, professor de Economia Comportamental (isso existe? parece coisa de adm)no MIT e pequisador do Federal Reserve. Economia Comportamental parece uma análise prolongada da Psicologia Social de Keynes, mas de qualquer forma é uma explicação bem simples pro que tenho ouvido por aí...
"A afirmação de que o mercado sempre vai produzir os melhores preços é um princípio econômico. É muito atrativo, mas muito errado. E os eventos recentes no mercado financeiro são uma demonstração clara disso. É impossível hoje olhar para o mercado e achar que ele é o melhor possível, racional. A crença de que o mercado se regula é muito elegante, mas depende de sermos perfeitamente racionais. Quanto mais você acredita que somos irracionais, mais você acredita que é necessário haver intervenções. Um exemplo interessante é o que está acontecendo agora no Chile. Há três meses, o governo estabeleceu que todo mundo tem de poupar 11% do salário. É uma intervenção incrível na vida das pessoas, mas é interessante. Quando as pessoas se aposentam, tudo o que depositaram durante a vida volta para elas na forma de pagamento. O que o governo viu foi que deixar essa poupança na mão das pessoas diminuía muito a chance de ela ser feita.""
A economia clássica assume que somos racionais. A economia comportamental, não. Se fôssemos racionais, não deveria haver preocupação com a saúde, porque todo mundo cuidaria da melhor maneira possível da sua. Na perspectiva clássica, não há como melhorar o mundo, porque todos já agem racionalmente. Na perspectiva da economia comportamental, temos um conhecimento limitado sobre nós. Se entendermos melhor o mundo, poderemos mudá-lo."
Por que somos irracionais?Dan Ariely – Pela própria evolução. Imagine que você é um animal na selva e vê um predador. Você pára para avaliar se é bom fugir ou ficar? Não. Você simplesmente corre. É uma ação que está além do ato pensado. Essa característica é boa na selva, mas não está de acordo com a sociedade moderna. Não fomos desenhados para o mundo que criamos. Por que achamos que podemos pensar apropriadamente sobre dinheiro? Trata-se de uma invenção nova. Nossa falta de jeito para lidar com dinheiro gerou a crise hipotecária americana.
Engraçado é imaginar que o pressuposto de boa parte da teoria neoclássica é a racionalidade do consumidor e dos produtores, no qual sempre conseguirão atingir um ponto ótimo de suas escolhas maximizando o bem estar social.
Ao averiguar que na prática a realidade é outra, vem outros conceitos complementares como a teoria dos jogos e assimetria de informações (que são por si muito mais interessante do que a crença no "homo economicus".
Keynes tornou sólido o conceito de incerteza, ao demolir a teoria clássica convencional.
Segundo Jorge Grespan:"O grande impacto da obra "A Riqueza das Nações", de 1776, foi o de sintetizar perfeitamente a trajetória econômica de um século, culminando na recomendação de liberar os mercados de qualquer interferência não econômica. A famosa imagem da "mão invisível" decorre justamente de um individualismo levado às últimas consequências. Smith afirma que só o egoísmo dos agentes econômicos é que permitiria às forças do mercado encontrarem a distribuição mais adequada dos recursos. Por outro lado, afirma também que o mercado funcionaria imperfeitamente se os indivíduos agissem influenciados por considerações éticas ou políticas, isto é, por motivos não econômicos, levados pela generosidade ou por qualquer outro impulso afetivo fora da estrita racionalidade de seus interesses particulares"
(...) no fim do século 19, quando autores como Willian Stanley Jevons (1835-1882) e Alfred Marshall (1842-1924) quiseram contornar dificuldades conceituais e políticas surgidas da teoria do valor-trabalho, não tiveram remédio senão buscar uma alternativa na subjetividade desse mesmo indivíduo autônomo e racionalmente egoísta. Elaboraram, assim, a teoria do valor-utilidade, pela qual o preço que uma pessoa estaria disposta a pagar por um bem seria definido pela utilidade que uma porção extra desse bem teria para ela. Com essa teoria econômica, chamada de neoclássica, o conceito de "homo economicus" se configura, enfim, com todas as suas características e seu nome próprio .
"A inovação da pesquisa econômica laureada com o Nobel seria, portanto, o de remover tais restrições do comportamento racional e previsível do indivíduo, incorporando a esse agente emoções e incertezas que interferem em sua opção na hora de tomar suas decisões de consumo e de produção. De certa forma, entretanto, tais caminhos também já haviam sido percorridos. Ao fundar a macroeconomia com sua "Teoria Geral", de 1936, o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) concebeu variáveis de psicologia social, como as propensões a consumir e a poupar, com relevante papel em sua obra. Keynes já havia associado a quebra da Bolsa de Nova York, ocorrida em 1929, à mentalidade americana, mais afeita a apostas e ao risco. Mas, para ele, esse fator poderia, no máximo, agravar ou acelerar um processo cuja origem fosse eminentemente social."
"A afirmação de que o mercado sempre vai produzir os melhores preços é um princípio econômico. É muito atrativo, mas muito errado. E os eventos recentes no mercado financeiro são uma demonstração clara disso. É impossível hoje olhar para o mercado e achar que ele é o melhor possível, racional. A crença de que o mercado se regula é muito elegante, mas depende de sermos perfeitamente racionais. Quanto mais você acredita que somos irracionais, mais você acredita que é necessário haver intervenções. Um exemplo interessante é o que está acontecendo agora no Chile. Há três meses, o governo estabeleceu que todo mundo tem de poupar 11% do salário. É uma intervenção incrível na vida das pessoas, mas é interessante. Quando as pessoas se aposentam, tudo o que depositaram durante a vida volta para elas na forma de pagamento. O que o governo viu foi que deixar essa poupança na mão das pessoas diminuía muito a chance de ela ser feita.""
A economia clássica assume que somos racionais. A economia comportamental, não. Se fôssemos racionais, não deveria haver preocupação com a saúde, porque todo mundo cuidaria da melhor maneira possível da sua. Na perspectiva clássica, não há como melhorar o mundo, porque todos já agem racionalmente. Na perspectiva da economia comportamental, temos um conhecimento limitado sobre nós. Se entendermos melhor o mundo, poderemos mudá-lo."
Por que somos irracionais?Dan Ariely – Pela própria evolução. Imagine que você é um animal na selva e vê um predador. Você pára para avaliar se é bom fugir ou ficar? Não. Você simplesmente corre. É uma ação que está além do ato pensado. Essa característica é boa na selva, mas não está de acordo com a sociedade moderna. Não fomos desenhados para o mundo que criamos. Por que achamos que podemos pensar apropriadamente sobre dinheiro? Trata-se de uma invenção nova. Nossa falta de jeito para lidar com dinheiro gerou a crise hipotecária americana.
Engraçado é imaginar que o pressuposto de boa parte da teoria neoclássica é a racionalidade do consumidor e dos produtores, no qual sempre conseguirão atingir um ponto ótimo de suas escolhas maximizando o bem estar social.
Ao averiguar que na prática a realidade é outra, vem outros conceitos complementares como a teoria dos jogos e assimetria de informações (que são por si muito mais interessante do que a crença no "homo economicus".
Keynes tornou sólido o conceito de incerteza, ao demolir a teoria clássica convencional.
Segundo Jorge Grespan:"O grande impacto da obra "A Riqueza das Nações", de 1776, foi o de sintetizar perfeitamente a trajetória econômica de um século, culminando na recomendação de liberar os mercados de qualquer interferência não econômica. A famosa imagem da "mão invisível" decorre justamente de um individualismo levado às últimas consequências. Smith afirma que só o egoísmo dos agentes econômicos é que permitiria às forças do mercado encontrarem a distribuição mais adequada dos recursos. Por outro lado, afirma também que o mercado funcionaria imperfeitamente se os indivíduos agissem influenciados por considerações éticas ou políticas, isto é, por motivos não econômicos, levados pela generosidade ou por qualquer outro impulso afetivo fora da estrita racionalidade de seus interesses particulares"
(...) no fim do século 19, quando autores como Willian Stanley Jevons (1835-1882) e Alfred Marshall (1842-1924) quiseram contornar dificuldades conceituais e políticas surgidas da teoria do valor-trabalho, não tiveram remédio senão buscar uma alternativa na subjetividade desse mesmo indivíduo autônomo e racionalmente egoísta. Elaboraram, assim, a teoria do valor-utilidade, pela qual o preço que uma pessoa estaria disposta a pagar por um bem seria definido pela utilidade que uma porção extra desse bem teria para ela. Com essa teoria econômica, chamada de neoclássica, o conceito de "homo economicus" se configura, enfim, com todas as suas características e seu nome próprio .
"A inovação da pesquisa econômica laureada com o Nobel seria, portanto, o de remover tais restrições do comportamento racional e previsível do indivíduo, incorporando a esse agente emoções e incertezas que interferem em sua opção na hora de tomar suas decisões de consumo e de produção. De certa forma, entretanto, tais caminhos também já haviam sido percorridos. Ao fundar a macroeconomia com sua "Teoria Geral", de 1936, o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) concebeu variáveis de psicologia social, como as propensões a consumir e a poupar, com relevante papel em sua obra. Keynes já havia associado a quebra da Bolsa de Nova York, ocorrida em 1929, à mentalidade americana, mais afeita a apostas e ao risco. Mas, para ele, esse fator poderia, no máximo, agravar ou acelerar um processo cuja origem fosse eminentemente social."
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
venha provar meu brunch
Eu me senti sufocada. No caminho de volta pra casa, sem nada pra fazer ou alguém pra conversar, comecei a prestar atenção nas placas espalhadas por aí. E me assustei. Kharina Quick Service, Marcelu’s, Porco Nobre Delivery, Disk Água, China in Box, BeHappy Academia, além dos dois postos Texaco. A única exceção foi o cemitério, que não tinha placa nenhuma (acho que a finalidade do espaço é auto-explicativa). O resto, sem diferenças entre estabelecimentos ou procedência, sempre continham alguma alusão a outras línguas. Se não fosse pelo próprio serviço prestado (Pizza Hut Restaurant), era pelo “Maxi”- matérias para escritório. Desconfio de que um estrangeiro, especialmente de origem anglo-saxônica, seria mais capaz de se virar nessa cidade que um brasileiro comum. Não passaria fome ou necessidade de grampeador, fato.
Até admito a existência da globalização, mas sou incapaz de encontrar a origem de toda essa ‘desportuguesação’ do Brasil. É mais bonito trabalhar no Champagnat Offices ao invés de Escritórios Bigorrilho? É mais fácil dizer: delivery que entrega à domicílio? Ou o lugar adquire mais status por descartar a própria língua do país onde está? O hambúrguer se chamar hambúrguer e a pizza se chamar pizza é totalmente aceitável, o que me irrita é uma empresa brasileira, de capital brasileiro, donos brasileiros, situada no Brasil chamar seu serviço de fast-food – quando a maioria dos brasileiros sequer sabe o que ‘fast-food’ quer dizer.
Os Estados Unidos espalha sua gigante influência não através de conquistas territoriais, como os imperialistas anteriores, mas enviando sua cultura em pocket-size a quem quiser comprá-la. E a quem não quiser também. O que era chamado de invasão yankee, tornou-se entrada consentida, refletida em nomes de restaurantes e prédio pelas cidades do Brasil.
A cultura de um país é o que determina sua condição de nação. Lá fora, todo brasileiro se irrita quando há um artigo publicado na Le Monde sobre os problemas daqui, se enche de argumentos para protestar contra a tentativa americana de internacionalizar a Amazônia, mas é incapaz de honrar nossa própria cultura, nossa língua e tradições.
Quando os próprios donos depreciam seus bens, o que impede que agentes externos façam o mesmo?
FELIZ DIA DO ECONOMISTA!
Até admito a existência da globalização, mas sou incapaz de encontrar a origem de toda essa ‘desportuguesação’ do Brasil. É mais bonito trabalhar no Champagnat Offices ao invés de Escritórios Bigorrilho? É mais fácil dizer: delivery que entrega à domicílio? Ou o lugar adquire mais status por descartar a própria língua do país onde está? O hambúrguer se chamar hambúrguer e a pizza se chamar pizza é totalmente aceitável, o que me irrita é uma empresa brasileira, de capital brasileiro, donos brasileiros, situada no Brasil chamar seu serviço de fast-food – quando a maioria dos brasileiros sequer sabe o que ‘fast-food’ quer dizer.
Os Estados Unidos espalha sua gigante influência não através de conquistas territoriais, como os imperialistas anteriores, mas enviando sua cultura em pocket-size a quem quiser comprá-la. E a quem não quiser também. O que era chamado de invasão yankee, tornou-se entrada consentida, refletida em nomes de restaurantes e prédio pelas cidades do Brasil.
A cultura de um país é o que determina sua condição de nação. Lá fora, todo brasileiro se irrita quando há um artigo publicado na Le Monde sobre os problemas daqui, se enche de argumentos para protestar contra a tentativa americana de internacionalizar a Amazônia, mas é incapaz de honrar nossa própria cultura, nossa língua e tradições.
Quando os próprios donos depreciam seus bens, o que impede que agentes externos façam o mesmo?
FELIZ DIA DO ECONOMISTA!
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Ao mestre, com admiração
A primeira vez que faço isso:
PROVOCAÇÕES
A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme.
Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida.
Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- VIOLÊNCIA, NÃO!
(Luis Fernando Veríssimo - Mais Comédias Para Ler na Escola, pág.41)
Com eu queria ter escrito isso...
PROVOCAÇÕES
A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme.
Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida.
Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- VIOLÊNCIA, NÃO!
(Luis Fernando Veríssimo - Mais Comédias Para Ler na Escola, pág.41)
Com eu queria ter escrito isso...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
...sem diretor, figurino ou roteiro

É sempre assim. O time perde, a alegria cessa e o pedido é o mesmo: tira o técnico! Será que o caso é mesmo o de trocar seis por meia dúzia? O técnico já foi alterado e os resultados do time nesse mesmo campeonato não são muito melhores. É uma questão de mudança ou costume, afinal? O torcedor eufórico continua cantando por vitória, mas acostumado com um time sem estrelas, ainda contando com velhos de guerra que há tempos deixaram seu futebol em outros estádios e bordéis. E reclama da falta de pulso de um homem incapaz de fazer milagres. Concordo, o técnico é parte importante, mas fundamental mesmo é o que se apresenta em campo e isso vai além: é da vontade de vencer, de jogar, de mostrar serviço. É cansativo sentar em frente a um espetáculo de aberrações semana após semana, ouvindo na cadeira ao lado o grito de felicidade do rival. Não é questão de lavar Roberto Fernandes de toda culpa, uma vez que outros times medíocres conseguem ir mais longe, mas a mesma base de três anos (sem resultados!) não pode ser considerada um time para campeonato brasileiro, quando não consegue vencer nem o estadual. Não basta trazer jogadores emprestados, impedir um time de jogar com um ‘dos nossos’ ou botar toda fé no goleiro. É, sim, a necessidade de priorizar um time ou uma imagem, um sonho de passado recente glorioso embalado na esperança de um técnico que nunca mais deu as caras. O que eu quero da diretoria do meu time (quer dizer, o que eu considero possível dentre todas as coisas que realmente desejo) é a postura de admitir que ou o plano seja outro, ou as coisas de fato tem que mudar. Profundamente.
contextualizando:
ATLÉTICO-PR 0 x 3 botafogo
santos 1 x 3 coritiba
obs.: sou excelente em comentários esportivos mesmo.
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